AUMENTO DAS TARIFAS DE TRANSPORTE INTERDISTRITAL EM NAMPULA GERA DEBATE E PREOCUPAÇÃO ENTRE PASSAGEIROS

 

Novas tarifas entram em vigor com impacto significativo em distritos como Angoche, Nacala-Porto, Moma, Larde, Memba e Malema

A Assembleia Provincial de Nampula aprovou a revisão das tarifas do transporte rodoviário interdistital de passageiros, uma medida que passa a vigorar em toda a província e que já está a provocar reacções divergentes entre operadores, partidos políticos e utentes dos transportes públicos.

A proposta foi aprovada exclusivamente com os votos da bancada da FRELIMO, que detém a maioria na Assembleia Provincial. As bancadas da RENAMO e do PODEMOS votaram contra, considerando os novos preços excessivamente elevados para a realidade económica da população, enquanto o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) optou pela abstenção.

Com a entrada em vigor da nova tabela, o custo por quilómetro aumenta de 2 para 2,50 meticais nas estradas asfaltadas e para 2,90 meticais nas vias não asfaltadas. Segundo os proponentes da medida, a revisão procura responder ao aumento dos custos operacionais enfrentados pelos transportadores, incluindo combustíveis, lubrificantes, peças sobressalentes e manutenção das viaturas.

Entre os distritos mais afectados pelo reajuste encontra-se Angoche, cuja ligação à cidade de Nampula passa de 300 para 430 meticais. A rota é uma das mais movimentadas da província, utilizada diariamente por comerciantes, funcionários públicos, estudantes e cidadãos que procuram serviços administrativos e de saúde na capital provincial.

Em Nacala-Porto, importante centro económico e logístico da província devido à presença do porto de águas profundas, a tarifa sobe de 350 para 490 meticais. Operadores económicos receiam que o aumento possa encarecer ainda mais os custos de circulação de pessoas e mercadorias entre os dois principais centros urbanos da província.

O distrito de Moma regista um dos aumentos mais expressivos. A viagem entre Nampula e Moma passa de 430 para 650 meticais, uma subida superior a 50 por cento. Situação semelhante verifica-se em Larde, onde os passageiros passam a pagar 660 meticais, contra os anteriores 450 meticais, devido à classificação da rota como trajecto de estrada não asfaltada.

A nova tabela estabelece igualmente aumentos significativos para outros distritos. A ligação, Nampula - Ilha de Moçambique passa agora a custar 470 meticais, Nampula-Memba passa de 500 para 750 meticais, tornando-se a rota mais cara da província. Para Malema, a tarifa sobe de 400 para 620 meticais, enquanto Mogincual passa de 300 para 470 meticais. Os passageiros com destino a Liúpo, Corrane e Chalaua também enfrentam aumentos consideráveis, com as viagens a passarem para 300, 300 e 400 meticais, respectivamente.

Em distritos como Ribáuè, Namapa, Nampue, Alua, Mecubúri e Mogovolas, os novos preços representam igualmente um agravamento das despesas de deslocação para milhares de cidadãos que dependem do transporte rodoviário para actividades comerciais, agrícolas, educacionais e administrativas.

Apesar de reconhecerem as dificuldades enfrentadas pelos transportadores, muitos passageiros consideram que o aumento surge num momento particularmente delicado para as famílias. O encarecimento dos transportes poderá reflectir-se directamente no preço dos produtos comercializados nos mercados, sobretudo nos distritos mais distantes da capital provincial.

Enquanto o debate prossegue, passageiros e operadores aguardam os impactos reais da medida nos próximos meses. Nos distritos costeiros de Angoche, Nacala-Porto, Moma e Larde, bem como nas regiões do interior, o aumento das tarifas promete continuar a dominar as discussões sobre mobilidade, comércio e custo de vida na província de Nampula. (Redacção)

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem