AÚBE PROCURA SUPERAR DESAFIOS DE DESENVOLVIMENTO E VALORIZAR O SEU POTENCIAL ECONÓMICO


 
             A Sede do Posto administrativo de Aúbe 

Localizado na zona sul do distrito de Angoche, na Província de Nampula, o Posto Administrativo de Aúbe continua a enfrentar diversos desafios ligados à educação, infra-estruturas, comercialização de produtos pesqueiros e alojamento, apesar do seu enorme potencial económico baseado na exploração dos recursos marinhos.

Em entrevista concedida à Angoche Mídia, esta quinta-feira, o chefe do Posto Administrativo de Aúbe, Alberto Alexandre, descreveu uma região marcada pela forte dependência da pesca artesanal, pela predominância da religião muçulmana e por carências que condicionam o desenvolvimento local.

Segundo o dirigente, Aúbe possui uma população estimada em cerca de 57 mil habitantes, distribuída por várias localidades e comunidades, incluindo ilhas habitadas e não habitadas. A pesca constitui a principal fonte de sustento da população.

"As embarcações que recebemos beneficiam diretamente as comunidades. Cada embarcação envolve cerca de 30 pescadores locais e o pescado capturado é vendido à população", explicou Alberto Alexandre.

                   Alberto Alexandre, chefe do posto

Contudo, o responsável reconhece que a actividade continua a ser desenvolvida de forma artesanal, sem qualquer iniciativa de pesca industrial. A falta de infra-estruturas adequadas para conservação e processamento do pescado limita o aproveitamento dos recursos existentes.

"Nós precisaríamos de locais apropriados para secagem e conservação do peixe. Hoje, a única alternativa é secá-lo ao sol, o que nem sempre garante a melhor qualidade", afirmou.

Outro constrangimento apontado prende-se com a inexistência de unidades de hospedagem para visitantes, investidores ou funcionários em missão de serviço. Segundo o chefe do posto, Aúbe não dispõe sequer de uma pensão, situação que dificulta a permanência de pessoas que se deslocam à região.

No sector da educação, os desafios são igualmente significativos. O posto administrativo conta com 21 escolas primárias e três escolas que já leccionam até à 10.ª classe, incluindo algumas localizadas nas ilhas. Apesar dos avanços registados nos últimos anos, a falta de professores continua a comprometer a qualidade do ensino.

"Temos um défice grave de professores. Há escolas onde um único docente é obrigado a leccionar várias classes. Existem turmas com entre 80 e 120 alunos para um professor", lamentou.

             Posto Administrativo de Aúbe 

A situação chegou a afectar a Escola Secundária local, que permaneceu cerca de quatro meses sem professor de Língua Portuguesa devido a transferências não acompanhadas de reposição de quadros.

Além dos desafios actuais, Alberto Alexandre recordou os episódios de vandalização registados entre finais de 2024 e início de 2025, quando infra-estruturas públicas e privadas foram alvo de saques e destruição.

Segundo relatou, as instalações do posto administrativo, o tribunal, o comando policial e residências particulares sofreram ataques em várias ocasiões. O responsável afirma que os actos tinham como principal objectivo o saque de bens e não reivindicações sociais.

"Entravam para levar tudo. Computadores, mobiliário e outros bens foram saqueados. Algumas infra-estruturas acabaram incendiadas", recordou.

O dirigente destaca, entretanto, que o restabelecimento do diálogo com as comunidades e a adopção de uma política de inclusão contribuíram para devolver a tranquilidade à região.

"Precisávamos de compreender as causas dos acontecimentos e trabalhar juntos. Apostámos no diálogo e na inclusão das comunidades, e hoje o ambiente é de estabilidade", explicou.

Apesar das dificuldades, o chefe do Posto Administrativo acredita que Aúbe possui condições para acelerar o seu desenvolvimento, sobretudo através da valorização dos recursos pesqueiros, melhoria das infra-estruturas comerciais, reforço da rede educativa e criação de condições para atrair investimento.

Com dezenas de comunidades espalhadas entre o continente e as ilhas, Aúbe continua a afirmar-se como uma das regiões com maior potencial económico do litoral de Angoche, aguardando por mais investimentos que permitam transformar os seus recursos naturais em oportunidades concretas de desenvolvimento para a população. (Redacção)

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