O Governador da Província de Nampula, Eduardo Abdula,
defendeu esta terça-feira, na cidade de Angoche, uma maior participação das
comunidades costeiras na preservação dos mangais, afirmando que a destruição
destes ecossistemas representa uma ameaça directa à economia local, à segurança
das populações e ao futuro das próximas gerações.
Intervindo nas celebrações do Dia Mundial da
Preservação dos Mangais, Eduardo Abdula explicou que a escolha de Angoche,
concretamente no bairro de Thamol para acolher o evento está relacionada com os
elevados níveis de exploração dos mangais para a produção de lenha, situação
que exige um esforço conjunto entre o Governo e as comunidades para inverter o
atual cenário.
O governante destacou que os mangais constituem uma
barreira natural contra o avanço do mar e os efeitos dos ciclones, além de
servirem de habitat para a reprodução de peixes, caranguejos e outras espécies
que garantem o sustento de milhares de famílias que vivem da pesca.
Perante dezenas de residentes, líderes comunitários e alunos, o Governador apelou à mudança de comportamento, sobretudo entre os mais jovens, incentivando-os a participar nas campanhas de plantio de mangais e a proteger este património ambiental, denunciando quaisquer práticas de destruição.
"Escolhemos Angoche porque é aqui onde se corta
muito para lenha. Se esta parte não tiver proteção deste mangal, as águas vão
ultrapassar e as nossas casas vão ficar dentro de água. Preservar o mangal
significa preservar a nossa renda, ter mais peixe, evitar ciclones e impedir
que as nossas casas sejam engolidas pelo mar. Vamos preservar os nossos mangais
para estas crianças, ser voluntários no plantio e não permitir que ninguém
destrua este património. Queremos mais peixe, mais caranguejo e mais rendimento
para as famílias dos pescadores, porque nós vivemos deste mar", afirmou.

