COMANDANTE DA 2.ª ESQUADRA DA PRM EM NAMPULA ACUSADO DE CORRUPÇÃO E A TENTATIVA DE CONDICIONAMENTO DA IMPRENSA

 

A 2.ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique, em Nampula, está no centro de um caso considerado grave, envolvendo acusações de corrupção e alegada interferência no trabalho do Gabinete Provincial de Combate à Corrupção.

O comandante da subunidade é acusado por familiares de dois jovens detidos de ter exigido 500 mil meticais para garantir a libertação dos mesmos. Segundo os denunciantes, a família conseguiu reunir e entregar 400 mil meticais.

Uma equipa do Gabinete Provincial de Combate à Corrupção, mobilizada para intervir no caso, afirma ter recuperado apenas 50 mil meticais. O comandante não chegou a ser detido.

Um inspector ouvido pelo Jornal Rigor relatou que ele e outros dois colegas permaneceram retidos durante cerca de três horas no interior da esquadra, sem que qualquer detenção fosse efectuada, apesar do dinheiro encontrado. O mesmo inspector sustenta que o comandante beneficia de alegada protecção ao nível do comando provincial da PRM

FAMÍLIA DENUNCIA COBRANÇA PARA LIBERTAÇÃO DE JOVENS

De acordo com os familiares, o caso remonta à noite de 8 para 9 de Fevereiro de 2026, quando dois jovens foram detidos, alegadamente encontrados na posse de drogas.

Um dos familiares afirma ter sido contactado por um dos jovens, que pedia ajuda. Na sequência, decidiu ligar directamente ao comandante da 2ª Esquadra.

Segundo o denunciante, o oficial terá sido claro quanto às condições para a libertação: 500 mil meticais. “Disse que queria 500”, relatou. A família conseguiu reunir apenas 400 mil meticais.

Desconfiando da legalidade da exigência, o familiar procurou o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção para formalizar a denúncia e viabilizar uma operação de flagrante delito. Contudo, devido à insistência do comandante, o valor acabou por ser entregue antes da intervenção dos investigadores.

O denunciante afirma ter gravado chamadas e preservado elementos de prova, receando represálias. Após a entrega do dinheiro, um dos familiares acabou igualmente detido, sob acusação de suborno.

Para a família, trata-se de um caso de perseguição e abuso de poder.

“Há muita falcatrua aqui. Está a desgraçar famílias”, declarou o denunciante, apelando à intervenção das autoridades judiciais.

INVESTIGADORES RELATAM RETENÇÃO DENTRO DA ESQUADRA.

Um inspector do Gabinete Provincial de Combate à Corrupção confirmou que a denúncia foi formalmente apresentada a 10 de Fevereiro, tendo sido desencadeadas diligências no terreno.

Segundo o investigador, antes da chegada do comandante, foi observada a retirada de um saco plástico contendo dinheiro do gabinete, posteriormente colocado numa gaveta.

Já na presença do comandante, foi autorizada uma revista ao gabinete, acto que, segundo os inspectores, foi filmado pelo próprio oficial.

Durante a diligência, os agentes afirmam ter encontrado apenas 50 mil meticais, dos 400 mil alegadamente entregues.

Pouco depois, o comandante terá comunicado ao Comando Provincial da PRM que a revista seria ilegal por ausência de mandado judicial. O inspector sustenta, no entanto, que, tratando-se de alegado flagrante delito, o mandado não seria necessário.

A situação agravou-se com a chegada de superiores hierárquicos que, segundo os investigadores, determinaram a permanência dos agentes no local.

“Ficámos retidos cerca de três horas”, relatou o inspector.

Os agentes afirmam ter abandonado posteriormente a esquadra, sem o dinheiro recuperado e sem qualquer detenção efectivada. O paradeiro dos restantes 350 mil meticais permanece por esclarecer.

ALEGADA TENTATIVA DE CONDICIONAMENTO DA COBERTURA JORNALÍSTICA

Na tentativa de obter a versão oficial das autoridades, jornalistas procuraram o Comando Provincial da PRM em Nampula.

O chefe do Departamento de Relações Públicas promoveu um encontro entre os repórteres e o comandante visado nas denúncias.

Durante a abordagem, não foi autorizada a gravação da entrevista. Em declarações prestadas sem registo áudio, o comandante admitiu ter recebido 50 mil meticais, alegadamente no contexto de uma tentativa de suborno.

O oficial assegurou, contudo, que não se deixou corromper e que o valor teria sido imediatamente anexado a um processo.

(Jornal Rigor)


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